O dia em que a morte morreu de confusão, de Fernanda S. Matzenbacher

O título é uma das características de um livro que mais me chama a atenção, sem dúvidas. E o título desse livro me instigou no momento em que o li — O dia em que a morte morreu de confusão, o que esperar de uma história com esse nome? E, para minha surpresa, ao iniciar a leitura percebi que tão inusitado quanto o título são os personagens criados pela autora.

Átina, nossa protagonista, nasceu com uma cangalha no pescoço. Beltrano é um mendigo que, ao morrer, não foi aceito no céu. Baltazar, desiludido com a vida, decide abandonar sua profissão  de pintor de quadros e passa a maquiar defuntos. Florida, personagem de um quadro — pintado por Baltazar — que ganha vida e ajuda os demais em suas jornadas.


Porém, apesar de os personagens possuírem características incomuns, eles trazem consigo questões acerca da vida e da morte que rapidamente nos identificamos. A autora conseguiu construir personagens que são, ao mesmo tempo, peculiares e plurais; são singulares e também comuns.

Através das inquietações dos personagens somos conduzidos por uma história que nos convida a conhecer melhor a nós mesmos. Com uma escrita poética e carregada de significados nas entrelinhas a autora nos mostra que, muitas vezes, para ter um futuro é necessário olhar com mais cuidado para algumas sombras do passado, mesmo que revisita-las nos doa.

Com mestrado em Filosofia do Direito, percebemos reflexos da formação da autora na sua forma de conduzir essa história, pois ela consegue unir filosofia e literatura de um jeito acessível e interessante. Além de descrever e caracterizar os personagens e situações pelas quais eles passam de maneira única e bela.

A leitura é fluida e os questionamentos pelos quais os personagens passam são introduzidos na história de maneira natural. Enquanto lia grifei inúmeras passagens que me trouxeram pensamentos bastante enriquecedores.

Com personagens singulares e plurais em uma leitura agradável e, ao mesmo, incômoda e questionadora, eu diria que encontramos nesse livro algo presente em de cada um de nós: aquelas ambiguidades que, ao final, acabam se encaixando.


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