Todo dia, de David Levithan

Provavelmente eu seja a última pessoa no mundo a ter lido o livro Todo dia, mas eu preciso falar sobre ele. Farei um breve resumo pra quem é atrasado pra tudo na vida - assim como eu - e ainda não sabe do que se trata este livro. Todo dia vai nos trazer a história de uma pessoa, um ser, extremamente incomum, chamado A. A não tem gênero, não tem família, não tem amigos e muito menos um corpo próprio. Só existe um padrão em sua vida, a  idade. Ele/ela acorda todos os dias em um corpo diferente, mas sempre no corpo de pessoas que possuem a mesma idade que a sua existência. 

"Não vou de 16 anos para 60. Nesse momento, é apenas 16. Não sei como isso funciona, nem o porquê. Parei de tentar entender há muito tempo. Nunca vou compreender, não mais do que qualquer pessoa normal entenderá a própria existência. Depois de algum tempo é preciso aceitar o fato de que você simplesmente existe"

Estava tudo bem (na medida do possível, na verdade, porque deve ser muito difícil estar tudo bem vivendo dessa maneira) até que A acorda no corpo de um garoto super grosseiro e estúpido chamado Justin e se apaixona pela namorada dele, Rhiannon. Os dois vivem um dia incrível juntos, e claro, a garota nota uma diferença tremenda no namorado. No dia seguinte, A não está mais no corpo de  Justin, mas não consegue parar de pensar em Rhiannon. E assim começa a maior aventura da vida de A: fazer de tudo para estar perto de Rhiannon, e nesta tentativa, algumas coisas que não deveriam acontecer acabam acontecendo e isso desencadeia um mistério no livro. 

Suprema, de Danilo Morales

Suprema é um livro de terror nacional do escritor e cineasta Danilo Morales; membro da ABERST (Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial Suspense e Terror) e criador do Festival POE de cinema fantástico de São José dos Campos.

A história do Suprema começa com a protagonista, Nina, chegando em São José dos Campos, lugar em que espera ter a oportunidade de recomeçar sua vida e ascender de classe. Acontecimentos um tanto traumáticos a fizeram deixar sua cidade natal, pois tendo sofrido abusos, a vítima acaba se tornando a culpada aos olhos de uma sociedade machista — e aos olhos, inclusive, de sua própria família.

Recém chegada em São José dos Campos, Nina se hospeda em um hotel barato e consegue emprego em uma lanchonete. E ali, atendendo clientes, acaba conhecendo Angelique, com quem, depois de um tempo, passa a dividir o apartamento. Angelique abre não só as portas de sua casa para Nina, ela abre também um novo mundo de possibilidades quando a introduz a Wicca.

E é a partir daí que história cresce, pois ao conhecer a magia, Nina resgata traumas do passado e concentra toda sua energia em se vingar daqueles que considera culpados por todo sofrimento que viveu. Ignorando o alerta que sempre recebeu de Angelique: “Tudo aquilo feito para o bem ou para o mal volta triplicado”; Nina se envolve com o lado mais obscuro da magia e fica obcecada em causar sofrimento a todos que a fizeram sofrer. Passando por cima de tudo e todos que se colocarem em seu caminho.

Corujas, de Caio Fernando Abreu

O conto Corujas está presente na obra O inventário do irremediável, de 1995, coincidentemente, o ano em que nasci. Corujas nada mais é - falando apenas no conjunto das palavras que montam o texto - o relato da estadia de dois seres estranhos, aos olhos humanos, em um curto período de tempo em um lugar totalmente estranho e cheio de outros seres estranhos, aos olhos das corujas. É também a confissão do comportamento do narrador e de sua família diante dos novos integrantes e da interação entre eles. Acredito que o conto seja reflexo de algum fragmento vivido por Caio em sua infância e por isso ele o dedica aos seus pais e irmãos.

O conto é bem curtinho e dividido em cinco partes: Introdução, A Chegada, Batismo, A fome e Desfecho. Rasputin e Cassandra, como são batizadas as corujas pelo narrador, chegaram nessa residência em uma manhã bem cedo, levando para aquele ambiente curiosidade e de certo modo mudando a rotina daquela casa. Para os adultos não fazia muita diferença a presença dessas criaturas ali, mas para as crianças era algo completamente novo e extraordinário passar horas do dia acompanhando esses animais cheios de penas cinzentas que só se alimentavam de baratas. 

Existe uma frase no meio do conto com um peso tão grande que toda ideia dele se concentra nela e é a seguinte:

"O homem que as trouxera informara a minha mãe de seu orgulho: feridas em liberdade fazem greve de fome até a morte."

Círculos, de L.A. Tecau

Você se orgulha de todas as atitudes que teve ao longo da vida? Creio que não. É fato que aprendemos com nossas escolhas — com os erros e acertos que vem com elas —, mas acredito que todos convivemos com certas ações que gostaríamos de esquecer que tivemos ou, pelo menos, gostaríamos que ninguém, além de nós, soubesse. Em Círculos alguns personagens não tem essa opção, pois as suas piores atitudes são reveladas a outras pessoas em um grande espetáculo — ou melhor, em um show de horrores — sem que eles tenham qualquer controle sobre isso.

Círculos é uma novela de suspense ambientada na pequena cidade de Caramuru, Santa Catarina. Nosso protagonista é o Guilherme — ou Guy como é mais conhecido. Guy é cadeirante, perdeu, de um dia para o outro, o movimento das pernas e os médicos nunca souberam explicar o motivo.

Guy tem uma irmã, Catarina, que trabalha em um jornal que divulga notícias não muito convencionais. Atualmente está escrevendo uma reportagem sobre os círculos misteriosos que apareceram em sua cidade natal, Caramuru — não é a primeira vez que se tem notícia da aparição deles na cidade. Catarina não mora mais lá, mas Guy sim. Uma vez por mês Catarina vai a Caramuru visitar o seu irmão e, dessa vez, vai aproveitar a viagem para fotografar o lugar onde os círculos misteriosos apareceram para deixar sua reportagem mais completa.

Terra das Mulheres, de Charlotte Perkins Gilman

Charlotte Perkins Gilman foi uma escritora americana que viveu de 1860 a 1935. Minha primeira experiência com a autora foi com a leitura do conto O papel de parede amarelo, nele conhecemos a história de uma mulher que, por estar fragilizada e melancólica, acaba sendo internada pelo próprio marido em uma casa afastada e dorme em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Conto incrível que nos apresenta um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade.

Como tive uma primeira experiência incrível com a autora fiquei curiosa para conhecer suas outras obras, mas apesar de compreender a importância da publicação do Terra das Mulheres e admirar a coragem e visão da autora por publicá-lo quando publicou e tratando dos temas que tratou, não gostei tanto da leitura, pois alguns pontos me incomodaram e outros não me convenceram.

Em Terra das Mulheres conhecemos um país que — como o título nos dá a entender — é habitado apenas por mulheres. No entanto, toda a história nos é contada sob a perspectiva de um homem. Três exploradores tomam conhecimento dessa sociedade onde homens, aparentemente, não existem e organizam uma expedição com o intuito de encontrar e desbravar essa Terra — Van, o narrador; Jeff; e Terry.

Antes de chegarem a esse país e conhecerem essas mulheres e sua forma de viver, esses três exploradores alimentam ideias extremamente machistas a respeito delas. E é triste e chocante perceber que muitas dessas ideias em relação as mulheres permanecem as mesmas até hoje. Segundo os três, uma terra habitada apenas por mulheres, seria caótica, selvagem, subdesenvolvida e inviável.

Top 10 melhores livros de 2018 • The New York Times

Recentemente o The New York Times divulgou uma lista com os 10 melhores livros publicados em 2018. Os editores do The Times Book Review selecionaram as dez melhores obras — de ficção e não ficção — publicadas esse ano; na sequência você pode conferir a lista completa.

Dos dez livros apenas três já foram publicados aqui no Brasil, confira abaixo quais são as obras que já foram traduzidas aqui.


Zona de desconforto, de Lindevania Martins

Zona de desconforto é o segundo livro de contos da Lindevania Martins vencedor do prêmio Benfazeja — editora que publica o livro aqui no Brasil. Sempre considerei mais difícil falar a respeito de algo que gosto muito, por isso não será uma tarefa fácil definir os contos presentes nessa obra, pois Zona de desconforto entrou, facilmente, para minha lista de melhores leituras realizadas esse ano e de melhores livros de contos que li na vida.

Uma sensação comum durante a leitura de contos é a de que faltou algo e que aquela história poderia (ou deveria) continuar por mais algumas páginas. Mas com a maioria dos contos desse livro isso não acontece. Eles são exatamente o que precisavam ser; entregam o necessário ao leitor, nem mais, nem menos: o essencial.


O livro é composto por oito contos que aparecem na seguinte ordem: Zona de desconforto, conto que abre o livro e que dá título a obra, traz uma história que nos deixa com um imenso aperto no peito ao retratar um fato atroz tão presente em nossa sociedade. A realidade de pessoas que deixam suas casas para tentar uma vida melhor em outra cidade, carregando sonhos e esperança de um recomeço, mas, muitas vezes, se deparam como uma realidade ainda mais cruel que a que deixaram para trás.