Círculos, de L.A. Tecau

Você se orgulha de todas as atitudes que teve ao longo da vida? Creio que não. É fato que aprendemos com nossas escolhas — com os erros e acertos que vem com elas —, mas acredito que todos convivemos com certas ações que gostaríamos de esquecer que tivemos ou, pelo menos, gostaríamos que ninguém, além de nós, soubesse. Em Círculos alguns personagens não tem essa opção, pois as suas piores atitudes são reveladas a outras pessoas em um grande espetáculo — ou melhor, em um show de horrores — sem que eles tenham qualquer controle sobre isso.

Círculos é uma novela de suspense ambientada na pequena cidade de Caramuru, Santa Catarina. Nosso protagonista é o Guilherme — ou Guy como é mais conhecido. Guy é cadeirante, perdeu, de um dia para o outro, o movimento das pernas e os médicos nunca souberam explicar o motivo.

Guy tem uma irmã, Catarina, que trabalha em um jornal que divulga notícias não muito convencionais. Atualmente está escrevendo uma reportagem sobre os círculos misteriosos que apareceram em sua cidade natal, Caramuru — não é a primeira vez que se tem notícia da aparição deles na cidade. Catarina não mora mais lá, mas Guy sim. Uma vez por mês Catarina vai a Caramuru visitar o seu irmão e, dessa vez, vai aproveitar a viagem para fotografar o lugar onde os círculos misteriosos apareceram para deixar sua reportagem mais completa.

Terra das Mulheres, de Charlotte Perkins Gilman

Charlotte Perkins Gilman foi uma escritora americana que viveu de 1860 a 1935. Minha primeira experiência com a autora foi com a leitura do conto O papel de parede amarelo, nele conhecemos a história de uma mulher que, por estar fragilizada e melancólica, acaba sendo internada pelo próprio marido em uma casa afastada e dorme em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Conto incrível que nos apresenta um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade.

Como tive uma primeira experiência incrível com a autora fiquei curiosa para conhecer suas outras obras, mas apesar de compreender a importância da publicação do Terra das Mulheres e admirar a coragem e visão da autora por publicá-lo quando publicou e tratando dos temas que tratou, não gostei tanto da leitura, pois alguns pontos me incomodaram e outros não me convenceram.

Em Terra das Mulheres conhecemos um país que — como o título nos dá a entender — é habitado apenas por mulheres. No entanto, toda a história nos é contada sob a perspectiva de um homem. Três exploradores tomam conhecimento dessa sociedade onde homens, aparentemente, não existem e organizam uma expedição com o intuito de encontrar e desbravar essa Terra — Van, o narrador; Jeff; e Terry.

Antes de chegarem a esse país e conhecerem essas mulheres e sua forma de viver, esses três exploradores alimentam ideias extremamente machistas a respeito delas. E é triste e chocante perceber que muitas dessas ideias em relação as mulheres permanecem as mesmas até hoje. Segundo os três, uma terra habitada apenas por mulheres, seria caótica, selvagem, subdesenvolvida e inviável.

Top 10 melhores livros de 2018 • The New York Times

Recentemente o The New York Times divulgou uma lista com os 10 melhores livros publicados em 2018. Os editores do The Times Book Review selecionaram as dez melhores obras — de ficção e não ficção — publicadas esse ano; na sequência você pode conferir a lista completa.

Dos dez livros apenas três já foram publicados aqui no Brasil, confira abaixo quais são as obras que já foram traduzidas aqui.


Zona de desconforto, de Lindevania Martins

Zona de desconforto é o segundo livro de contos da Lindevania Martins vencedor do prêmio Benfazeja — editora que publica o livro aqui no Brasil. Sempre considerei mais difícil falar a respeito de algo que gosto muito, por isso não será uma tarefa fácil definir os contos presentes nessa obra, pois Zona de desconforto entrou, facilmente, para minha lista de melhores leituras realizadas esse ano e de melhores livros de contos que li na vida.

Uma sensação comum durante a leitura de contos é a de que faltou algo e que aquela história poderia (ou deveria) continuar por mais algumas páginas. Mas com a maioria dos contos desse livro isso não acontece. Eles são exatamente o que precisavam ser; entregam o necessário ao leitor, nem mais, nem menos: o essencial.


O livro é composto por oito contos que aparecem na seguinte ordem: Zona de desconforto, conto que abre o livro e que dá título a obra, traz uma história que nos deixa com um imenso aperto no peito ao retratar um fato atroz tão presente em nossa sociedade. A realidade de pessoas que deixam suas casas para tentar uma vida melhor em outra cidade, carregando sonhos e esperança de um recomeço, mas, muitas vezes, se deparam como uma realidade ainda mais cruel que a que deixaram para trás.

Vidas na noite, de Aione Simões

Encontrei o Vidas na noite totalmente por acaso e sua leitura foi uma grata surpresa pra mim. Estava procurando títulos disponíveis no kindle unlimited quando me deparei com ele e, o que me chamou atenção num primeiro momento foi o nome da autora — Aione Simões. Acompanho o trabalho da Aione com Literatura na internet há muito tempo e não sabia da publicação do seu livro. Como a sinopse me interessou, logo comecei a leitura e não consegui parar até terminar.

Vidas na noite é uma antologia com cinco contos bem curtos e muito envolventes. Vocês encontrarão histórias sobre aceitação, amizade, relacionamentos abusivos, perdão, atração. Cada um tem foco na história de algum personagem diferente, mas têm em comum o fato de se passarem em um mesmo ambiente: um bar. E, ao final, um acontecimento que conecta, de alguma forma, todas as histórias — o que achei genial e surpreendente.

Quando terminei a leitura assisti a um vídeo da Aione onde ela responde algumas perguntas de leitores sobre seu livro. E nele descobri que cada conto pertence a um gênero diferente — jovem adulto, chick lit, erótico, thriller psicológico. Confesso que não me atentei a isso enquanto realizava a leitura, foi apenas depois de vê-la falar a respeito que pensei melhor em cada uma das histórias e consegui perceber esses detalhes.

O dia em que a morte morreu de confusão, de Fernanda S. Matzenbacher

O título é uma das características de um livro que mais me chama a atenção, sem dúvidas. E o título desse livro me instigou no momento em que o li — O dia em que a morte morreu de confusão, o que esperar de uma história com esse nome? E, para minha surpresa, ao iniciar a leitura percebi que tão inusitado quanto o título são os personagens criados pela autora.

Átina, nossa protagonista, nasceu com uma cangalha no pescoço. Beltrano é um mendigo que, ao morrer, não foi aceito no céu. Baltazar, desiludido com a vida, decide abandonar sua profissão  de pintor de quadros e passa a maquiar defuntos. Florida, personagem de um quadro — pintado por Baltazar — que ganha vida e ajuda os demais em suas jornadas.


Porém, apesar de os personagens possuírem características incomuns, eles trazem consigo questões acerca da vida e da morte que rapidamente nos identificamos. A autora conseguiu construir personagens que são, ao mesmo tempo, peculiares e plurais; são singulares e também comuns.

Através das inquietações dos personagens somos conduzidos por uma história que nos convida a conhecer melhor a nós mesmos. Com uma escrita poética e carregada de significados nas entrelinhas a autora nos mostra que, muitas vezes, para ter um futuro é necessário olhar com mais cuidado para algumas sombras do passado, mesmo que revisita-las nos doa.

Sites novos + vídeos mais pedidos + sorteio

Nesse vídeo conto pra vocês algumas novidades sobre os sites que administro, faço um pedido especial para que votem nos vídeos que mais gostariam de ver no canal e tem sorteio do kit de setembro da tag curadoria.

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Todas as informações e regras do sorteio estão na descrição do vídeo, então acesse o canal pelo youtube clicando aqui e participe. Boa sorte ♥!