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Controle, de Natalia Borges Polesso

Logo após uma péssima experiência de leitura comecei a ler o livro Controle, da autora Natalia Borges Polesso. Nas primeiras páginas já fiquei tão preso que o desejo de engolir o livro de uma só vez foi intenso. Eu acredito muito na lei da atração e sinto que o meu interior recebeu este livro como um presente que ele precisava naquele momento. Este é o tipo de livro que nos revigora quando chegamos quase a esquecer do quão generosa uma leitura pode ser, nos tira do automático e traz de volta as emoções de uma boa leitura. Me antecipo dizendo que recomendo muito a leitura de Controle e que desejo muito ler outras coisas dessa autora que fez um trabalho genial aqui.

O livro traz como protagonista Maria Fernanda, que foi uma criança esperta, intensa e que amava viver aventuras com sua turma de amigos. Fazia de tudo e era super apaixonada por bicicletas e pelas as emoções radicais que elas podem proporcionar. Teve uma infância comum acompanhada de seus amigos, sendo os principais, Joana, Davi e Alexandre. Fez tudo que uma criança normal podia fazer. Deu até um selinho quando cursava o sétimo ano. Foi em algum momento entre a pré-adolescência e a adolescência que algo aconteceu. Uma queda. Uma crise. Uma estranhez. Um diagnóstico: Epilepsia. 

Depois da primeira crise vieram várias outras e mais outras. Surgiram no meio do furacão as piadinhas maldosas dos colegas, a superproteção dos pais, o afastamento, a vida infrequente. Nanda não era mais tão autêntica, aprendeu a viver dentro de uma concha que a isolava da vida real. Só existia uma realidade pra ela agora, a doença. Depois de diagnosticada com "atividade excessiva e anormal de células cerebrais" veio limitação, a falta de esforço, a acomodação e pior perigo de todos: a zona de conforto. Seus pais resolviam tudo e foi assim que tomaram o controle de sua vida. 

Alguns amigos se afastaram e o contrário também aconteceu. Joana e Davi resistiram e continuaram sendo os melhores amigos de Nanda. Os anos foram passando. As pessoas entravam e saíam da faculdade, arrumavam emprego, tinham filhos, se casavam e já no final da casa dos vinte, Maria Fernanda parecia estagnada, vivendo uma vida tristemente pausada. Era como se tudo estivesse em movimento e ela não. Seu corpo mudou, seus desejos mudaram, mas não havia mais nem sonhos e nem planos. Sua vida resumia na superproteção dos pais, na insistência dos amigos e claro, na epilepsia. 

Maria Fernanda percebe na relação com sua melhor amiga, Joana, um amor mais caloroso e um carinho excessivo. Algo dentro dela parece errado e ela começa a questionar seus desejos sexuais. O que houve com a normalidade? Nada seria normal na vida dessa jovem? É aí que entra a grande questão: A normalidade, de fato, existe? Ou é apenas uma suposição criada por nós mesmos baseado no que é mais comum? Existe um desenrolar incrível neste livro quanto a isso. A autora trabalha esse assunto de uma forma digna e natural. Enxergamos a realidade aqui. Quem viveu na pele tais questionamentos quanto a sexualidade vai se identificar muito com os da personagem principal.


Título: Controle
Autor: Natalia Borges Polesso
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 172

Controle é um livro sutil. Com poucas páginas e muita delicadeza são tratados assuntos que na maioria das vezes são difíceis de serem abordados. O livro nos abraça, pelo menos me abraçou. Eu tive vontade de rever muita coisa em minha vida e eu amo quando isso acontece. Sinto que a leitura foi útil e dessa vez, necessária. O que mais me emocionou na leitura foi perceber que não existe um momento exato para recomeços e pode passar o tempo e tudo mudar, mas a vida vai continuar sendo vida, cheia de possibilidades. E pra quem gosta de referências musicais em livros este é ideal pois o livro é todo recheado com citações de letras da banda New Order.

A escrita da Natalia é sincera, informal e poeticamete cativante. A leitura foi tão envolvente que passei alguns dias sentindo falta não somente dos personagens como é comum acontecer, eu sentia falta também da escrita dela. Da concentração que ela proporciona. Tem paixão no trabalho dessa autora e isso é muito significativo para nós leitores, a gente saber que ainda existem pessoas atuais tão dedicadas à escrita. Isso é grandioso e perigoso, pois quando a escrita é mágica ela pode delicadamente roubar o controle de nossas vidas por algumas horas. 

Muito obrigado por ler até aqui. Até a próxima, grande abraço. 

Uma mulher no escuro, de Raphael Montes

No dia em que completou quatro anos de idade Victória vivenciou algo sombrio e devastador. Ela presenciou o assassinato de seus pais e de seu irmão mais velho na sua própria casa. Após a ocisão o assassino pichou a cara de todos os mortos de preto e inclusive a cara da Victória, pois ele achou que ela também estava morta, porém ele havia apenas aleijado sua perna. E naquela noite de horror em que ela mergulhava em uma vida de escuridão ela só tinha a companhia de seu ursinho de pelúcia, Abu.

Após a narrativa daquela noite pulamos para o primeiro capítulo que nos remete à Victória com vinte quatro anos, solitária, resistente e com muitas dificuldades para confiar nas pessoas e em se socializar. Atualmente ela trabalha em uma lanchonete e mantém contato apenas com uma tia avó que vive em um asilo, um amigo, Arroz, que tem uma paixão platônica por ela, um cara chamado Jorge que frequenta bastante a lanchonete que ela trabalha  pelo qual ela se apaixona e seu terapeuta, Dr. Max, que se voluntariou para cuidar de seu caso e está conseguindo desenterrar em Victória a coragem para se abrir para a vida e para algumas pessoas que estão mais próximas à ela. 

Graças ao novo terapeuta a vida de Victória parece estar caminhando contra a escuridão. Ela está conseguindo viver novas experiências e até se arrisca numa paixão e em relacionamentos pessoais mais abertos. Mas é aí que acontece algo que faz Victória parecer a mulher mais sem sorte do mundo. Um desespero toma conta do seu interior quando um dia ela entra em seu apartamento e descobre que o pichador estava de volta. Em sua parede havia pichada a frase "vamos brincar?" e seu ursinho de pelúcia, que antes era branco, estava coberto de tinta preta.

Quatro velhos, de Luiz Biajoni

Possivelmente uma das nossas maiores falhas é não valorizar os bons momentos comuns do nosso dia a dia. Muitas vezes só valorizamos os dias atípicos em que fazemos algo bom que foge da rotina. Mas há beleza nas ações rotineiras, nós é que precisamos mudar o nosso olhar.

Essa leitura me marcou por vários motivos, mas principalmente por me fazer olhar com mais cuidado para os pequenos prazeres do cotidiano. Somos instantes. Então, que saibamos apreciar todos eles.

Mas, nesses mais de quarenta anos, a impressão que ele tinha é a de que fizeram pouco, muito pouco, juntos. Muitas vezes ele chegava tarde em casa e ela já estava dormindo. Ou ela estava passando mal de cólicas menstruais. Ou ele passava o final de semana analisando gráficos da empresa. Não sabia precisar, mas parecia, a ele, que tinham passado pouco tempo juntos, tinham desfrutado pouco em conjunto. (Página 57)

No prólogo do livro o autor — Luiz Biajoni — nos conta que desenvolveu esse romance a partir de um boato que ouviu no final dos anos 1980, que dizia que um morador de uma cidade pequena do interior paulista seria filho bastardo do ditador italiano Benito Mussolini. Por querer saber mais sobre esse boato, acabou conhecendo a história de outros três personagens e é essa a história que ele nos conta. Porém, esse boato é apenas um detalhe da história, o foco está nas relações entre esses personagens.

Uma receita para a liberdade, de Maurício Rosa

Quando conheci o livro do Maurício Rosa foi a premissa que logo chamou a minha atenção, pois se trata de uma história que envolve suspense, crime, drama e gastronomia. Não sei vocês, mas eu nunca tinha lido nada que trouxesse a junção desses elementos e já adianto que foi uma mistura improvável (e inusitada) que deu certo.

O livro começa com uma carta de uma mãe para um filho escrita em 1990 e, através dessa carta, sabemos que eles estão separados há dois anos e que o filho está em um orfanato sob os cuidados de uma agente social, mas, a princípio, nós não sabemos o motivo da separação.

A mãe que escreveu a carta é a Anabela e, à medida que avançamos na história, sabemos que ela está em uma clínica de reabilitação porque cometeu um crime. E durante algum tempo da leitura ficamos nos questionando: qual foi o crime que ela cometeu? E porque ela está em uma clínica e não em uma prisão? Depois de alguns capítulos encontramos as respostas para essas perguntas.

Anabela, antes da internação, era uma chefe de cozinha de muito prestígio. E após algum tempo nessa clínica, ela recebe uma proposta da diretora do lugar. A diretora — além de corrupta — é também dona de um restaurante e quer ganhar um concurso gastronômico muito importante. Se Anabela ajudá-la a vencer o concurso terá sua pena reduzida.

Olhai os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo

Olhai os Lírios do Campo foi escrito pelo incrível Érico Veríssimo no ano de 1938. O título nada mais é do que um fragmento do Sermão da Montanha que está presente nos evangelhos de Lucas e Mateus. A história do livro se passa na época em que ele foi escrito e por isso ele se torna um retrato histórico. 1938 foi o ano em que Getúlio Vargas ocupa o poder e ao caminhar os olhos pelas linhas deste livro encontramos algumas passagens referentes à este governo. Foi através deste livro que o Veríssimo ganhou nome, pois na época em que foi publicado as vendas explodiram e o livro fez imenso sucesso. E o engraçado é que mesmo o autor não achando a sua obra lá grandes coisas, ele se tornou o preferido para muitas pessoas, inclusive para mim. Olhai os Lírios do Campo é meu livro favorito desde muito tempo e por isso eu resolvi fazer a releitura e falar um pouco da minha experiência com este livro aqui no blog. 

A história que encontramos aqui não é linear. Ela se passa em dois tempos. Acompanhamos a vida atual do protagonista e paralela à ela tudo o que ele passou da infância até a vida adulta, uma estratégia interessante do escritor para permitir que o leitor entenda melhor a vida e as atitudes do personagem principal, Eugênio. A história do livro se inicia com o Eugênio recebendo a ligação de uma enfermeira, dizendo que uma pessoa muito especial pra ele está entre a vida e a morte. Ele chama o motorista às pressas e dá uma desculpa formal à esposa, que friamente finge acreditar na desculpa. É entregue ao leitor a informação que da casa de Eugênio até o hospital gasta-se três horas de carro. E é neste tempo que podemos acompanhar todos os pensamentos de Eugênio, flashbaks de toda a sua vida desde a infância.

Os ovos azuis da serpente, de Roberto Marcos

Os ovos azuis da serpente, livro publicado em 2017 de forma independente pelo autor mineiro Roberto Marcos, traz a história de quatro personagens um tanto peculiares e, ao nos apresentar a vida de cada um deles, o autor consegue levantar questionamentos necessários e muitas vezes incômodos.

Conhecemos Bella Flor (A Caçadora de Prazeres), por trabalhar como prostituta é uma mulher que recebe olhares incriminadores  e comentários hostis por parte de muitos — talvez até do próprio leitor. Ela possui alguns critérios para selecionar os seus clientes e não cobra pelos programas que faz. Aos poucos vamos conhecendo melhor a sua história e as suas motivações. Benjamin (O fazedor de dinheiro), personagem pragmático, sistemático que ganha a vida emprestando dinheiro a jurus altíssimos. Bizet (A aprendiz de bruxarias) herdou bastante conhecimento esotérico da sua avó — sobre magia e plantas medicinais. Por essa razão ela é tida por bruxa, assim como algumas de suas ancestrais. Bento (O quase morto quase vivo) que vive — praticamente — num estado vegetativo. Mas não porque tem alguma doença e sim porque vive na inércia, em momentos de contemplação.

Esses quatro personagens — juntamente com o porteiro 'faz tudo' — são os únicos moradores de um mesmo edifício — o edifício Parque dos Pardais. Por morarem no mesmo prédio imaginamos, a princípio, que se eles não são amigos são, pelo menos, conhecidos. Mas não. Eles sequer se veem, não têm um mínimo de convivência. E, essa privacidade é possível porque em cada andar do prédio, tem apenas um apartamento.

Como não poderia deixar de ser, existe muito boato na vizinhança acerca da vida dessas pessoas, muito se especula sobre as vidas tão reclusas que levam. O próprio porteiro do prédio — Antonio Taiobeiras — sempre que tem uma oportunidade aproveita para bisbilhotar a vida dos demais moradores do prédio.

Então, esses personagens que, em um primeiro momento, parecem tão diferentes entre si, têm algo em comum: o isolamento, a solidão. Mas não só, vamos descobrindo, aos poucos, o que os conecta. Acontecimentos traumáticos, assassinatos, vidas de aparências onde tentavam transmitir algo que não eram. À medida que avançamos na leitura somos surpreendidos mais e mais com os fatos que surgem; muito mistério envolve a vida de todos eles.

Suprema, de Danilo Morales

Suprema é um livro de terror nacional do escritor e cineasta Danilo Morales; membro da ABERST (Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial Suspense e Terror) e criador do Festival POE de cinema fantástico de São José dos Campos.

A história do Suprema começa com a protagonista, Nina, chegando em São José dos Campos, lugar em que espera ter a oportunidade de recomeçar sua vida e ascender de classe. Acontecimentos um tanto traumáticos a fizeram deixar sua cidade natal, pois tendo sofrido abusos, a vítima acaba se tornando a culpada aos olhos de uma sociedade machista — e aos olhos, inclusive, de sua própria família.

Recém chegada em São José dos Campos, Nina se hospeda em um hotel barato e consegue emprego em uma lanchonete. E ali, atendendo clientes, acaba conhecendo Angelique, com quem, depois de um tempo, passa a dividir o apartamento. Angelique abre não só as portas de sua casa para Nina, ela abre também um novo mundo de possibilidades quando a introduz a Wicca.

E é a partir daí que história cresce, pois ao conhecer a magia, Nina resgata traumas do passado e concentra toda sua energia em se vingar daqueles que considera culpados por todo sofrimento que viveu. Ignorando o alerta que sempre recebeu de Angelique: “Tudo aquilo feito para o bem ou para o mal volta triplicado”; Nina se envolve com o lado mais obscuro da magia e fica obcecada em causar sofrimento a todos que a fizeram sofrer. Passando por cima de tudo e todos que se colocarem em seu caminho.

Corujas, de Caio Fernando Abreu

O conto Corujas está presente na obra O inventário do irremediável, de 1995, coincidentemente, o ano em que nasci. Corujas nada mais é - falando apenas no conjunto das palavras que montam o texto - o relato da estadia de dois seres estranhos, aos olhos humanos, em um curto período de tempo em um lugar totalmente estranho e cheio de outros seres estranhos, aos olhos das corujas. É também a confissão do comportamento do narrador e de sua família diante dos novos integrantes e da interação entre eles. Acredito que o conto seja reflexo de algum fragmento vivido por Caio em sua infância e por isso ele o dedica aos seus pais e irmãos.

O conto é bem curtinho e dividido em cinco partes: Introdução, A Chegada, Batismo, A fome e Desfecho. Rasputin e Cassandra, como são batizadas as corujas pelo narrador, chegaram nessa residência em uma manhã bem cedo, levando para aquele ambiente curiosidade e de certo modo mudando a rotina daquela casa. Para os adultos não fazia muita diferença a presença dessas criaturas ali, mas para as crianças era algo completamente novo e extraordinário passar horas do dia acompanhando esses animais cheios de penas cinzentas que só se alimentavam de baratas. 

Existe uma frase no meio do conto com um peso tão grande que toda ideia dele se concentra nela e é a seguinte:

"O homem que as trouxera informara a minha mãe de seu orgulho: feridas em liberdade fazem greve de fome até a morte."

Círculos, de L.A. Tecau

Você se orgulha de todas as atitudes que teve ao longo da vida? Creio que não. É fato que aprendemos com nossas escolhas — com os erros e acertos que vem com elas —, mas acredito que todos convivemos com certas ações que gostaríamos de esquecer que tivemos ou, pelo menos, gostaríamos que ninguém, além de nós, soubesse. Em Círculos alguns personagens não tem essa opção, pois as suas piores atitudes são reveladas a outras pessoas em um grande espetáculo — ou melhor, em um show de horrores — sem que eles tenham qualquer controle sobre isso.

Círculos é uma novela de suspense ambientada na pequena cidade de Caramuru, Santa Catarina. Nosso protagonista é o Guilherme — ou Guy como é mais conhecido. Guy é cadeirante, perdeu, de um dia para o outro, o movimento das pernas e os médicos nunca souberam explicar o motivo.

Guy tem uma irmã, Catarina, que trabalha em um jornal que divulga notícias não muito convencionais. Atualmente está escrevendo uma reportagem sobre os círculos misteriosos que apareceram em sua cidade natal, Caramuru — não é a primeira vez que se tem notícia da aparição deles na cidade. Catarina não mora mais lá, mas Guy sim. Uma vez por mês Catarina vai a Caramuru visitar o seu irmão e, dessa vez, vai aproveitar a viagem para fotografar o lugar onde os círculos misteriosos apareceram para deixar sua reportagem mais completa.

Zona de desconforto, de Lindevania Martins

Zona de desconforto é o segundo livro de contos da Lindevania Martins vencedor do prêmio Benfazeja — editora que publica o livro aqui no Brasil. Sempre considerei mais difícil falar a respeito de algo que gosto muito, por isso não será uma tarefa fácil definir os contos presentes nessa obra, pois Zona de desconforto entrou, facilmente, para minha lista de melhores leituras realizadas esse ano e de melhores livros de contos que li na vida.

Uma sensação comum durante a leitura de contos é a de que faltou algo e que aquela história poderia (ou deveria) continuar por mais algumas páginas. Mas com a maioria dos contos desse livro isso não acontece. Eles são exatamente o que precisavam ser; entregam o necessário ao leitor, nem mais, nem menos: o essencial.


O livro é composto por oito contos que aparecem na seguinte ordem: Zona de desconforto, conto que abre o livro e que dá título a obra, traz uma história que nos deixa com um imenso aperto no peito ao retratar um fato atroz tão presente em nossa sociedade. A realidade de pessoas que deixam suas casas para tentar uma vida melhor em outra cidade, carregando sonhos e esperança de um recomeço, mas, muitas vezes, se deparam como uma realidade ainda mais cruel que a que deixaram para trás.

Vidas na noite, de Aione Simões

Encontrei o Vidas na noite totalmente por acaso e sua leitura foi uma grata surpresa pra mim. Estava procurando títulos disponíveis no kindle unlimited quando me deparei com ele e, o que me chamou atenção num primeiro momento foi o nome da autora — Aione Simões. Acompanho o trabalho da Aione com Literatura na internet há muito tempo e não sabia da publicação do seu livro. Como a sinopse me interessou, logo comecei a leitura e não consegui parar até terminar.

Vidas na noite é uma antologia com cinco contos bem curtos e muito envolventes. Vocês encontrarão histórias sobre aceitação, amizade, relacionamentos abusivos, perdão, atração. Cada um tem foco na história de algum personagem diferente, mas têm em comum o fato de se passarem em um mesmo ambiente: um bar. E, ao final, um acontecimento que conecta, de alguma forma, todas as histórias — o que achei genial e surpreendente.

Quando terminei a leitura assisti a um vídeo da Aione onde ela responde algumas perguntas de leitores sobre seu livro. E nele descobri que cada conto pertence a um gênero diferente — jovem adulto, chick lit, erótico, thriller psicológico. Confesso que não me atentei a isso enquanto realizava a leitura, foi apenas depois de vê-la falar a respeito que pensei melhor em cada uma das histórias e consegui perceber esses detalhes.

O dia em que a morte morreu de confusão, de Fernanda S. Matzenbacher

O título é uma das características de um livro que mais me chama a atenção, sem dúvidas. E o título desse livro me instigou no momento em que o li — O dia em que a morte morreu de confusão, o que esperar de uma história com esse nome? E, para minha surpresa, ao iniciar a leitura percebi que tão inusitado quanto o título são os personagens criados pela autora.

Átina, nossa protagonista, nasceu com uma cangalha no pescoço. Beltrano é um mendigo que, ao morrer, não foi aceito no céu. Baltazar, desiludido com a vida, decide abandonar sua profissão  de pintor de quadros e passa a maquiar defuntos. Florida, personagem de um quadro — pintado por Baltazar — que ganha vida e ajuda os demais em suas jornadas.


Porém, apesar de os personagens possuírem características incomuns, eles trazem consigo questões acerca da vida e da morte que rapidamente nos identificamos. A autora conseguiu construir personagens que são, ao mesmo tempo, peculiares e plurais; são singulares e também comuns.

Através das inquietações dos personagens somos conduzidos por uma história que nos convida a conhecer melhor a nós mesmos. Com uma escrita poética e carregada de significados nas entrelinhas a autora nos mostra que, muitas vezes, para ter um futuro é necessário olhar com mais cuidado para algumas sombras do passado, mesmo que revisita-las nos doa.

Onze Contos, de Will Monteath

Meu primeiro contato com o autor nacional Will Monteath foi através do seu romance Tulipas Azuis. Ontem, passeando pelo catálogo do kindle unlimted me deparei com o “Onze Contos” do mesmo autor e fiquei curiosa para conhecer suas histórias curtas, então iniciei a leitura.

Foi uma leitura bastante rápida, pois os onze contos presentes nesse livro são bem curtos, acredito que não levei mais que uma hora para lê-los. Algumas histórias são divertidas, outras carregam um humor bastante perspicaz, outras proporcionam reflexões.

Meus favoritos foram os contos "O homem limpo" e "A poupança de Gleice" que me fizeram pensar sobre a brevidade da vida, sobre as inquietações humanas, sobre nossa necessidade de mudança e de nos reinventarmos para nos sentirmos vivos, sobre como o ser importa mais que o ter. E, sobretudo, a importância de apreciarmos os caminhos que nos levam a algum sonho ou objetivo.

"Prisão domiciliar" e "Meu amigo Conrado" foram contos que me fizeram dar risada, o que foi bom, pois há tempos não me dedico a leituras leves. O "Novo por aqui" apesar de cômico é também trágico, pois nos faz pensar sobre nossa situação política atual, não muito animadora.

Sua alteza Marie Claire, de Lobato Magalhães

Sua Alteza Marie Claire. A princesa e a bloguista foi a minha primeira experiência com a obra do autor Lobato Magalhães, mas esse não é o seu primeiro livro publicado. Sua primeira publicação foi um livro de contos intitulado Sensibilidade: artigo de luxo e, posteriormente, seu primeiro romance com o título de A Menina da Gargantilha.

O autor ambientou a história de Sua Alteza Marie Claire no ano de 1780, no Reino de Bergamota. Nela conhecemos a princesa Marie Claire que, por conta de seu temperamento, acaba dificultando as possibilidades de casamento que seus pais a oferecem. Quando aparece um pretendente por quem ela se interessa - o Príncipe da Prússia - ela teme que seus planos sejam afetados por conta da presença de Nívea, a bloguista.

Lobato Magalhães nos apresenta uma história com uma leitura fluida que surpreende e diverte. Assista ao vídeo abaixo para saber mais sobre as minhas impressões desse livro.

Cinco dias de sonho, de Leonardo Silva

Cinco dias de sonho é um romance de ficção científica nacional, publicado no ano passado pelo autor Leonardo Silva. Ótima opção de leitura para aqueles que querem começar a ler livros do gênero e também para os que (assim com eu!)  já gostam desse tipo de leitura. No vídeo abaixo compartilho minha experiência com essa leitura que, já adianto, recomendo!

Nem Fred Explica, de Cleu Nacif | + SORTEIO

Fred é um psicólogo de 29 anos, que vive atormentado pelos pesadelos e lembranças de quando seus pais morreram em um acidente de carro, dez anos antes. Ele divide um apartamento com a irmã, Marcela, que não poderia ser mais diferente. Aspirante a atriz, Marcela é uma jovem cheia de vida que adora se divertir, aparentando ter lidado melhor com a morte dos pais do que o irmão, o que acabou criando uma barreira entre os dois. Após um incidente na primeira consulta de Fred com Débora, sua nova paciente, ele tem um ataque de ansiedade e desmaia no colo da garota. Por causa disso, Marcela acaba conhecendo Débora e as duas começam a se encontrar às escondidas, envolvendo-se cada vez mais, enquanto Fred se afunda em um buraco de bebedeira e depressão, levando o relacionamento com a irmã a um ponto caótico.

Império de Vidro, de Flávia Marcelino | + SORTEIO

Quando o telefone do detetive Oliver King toca às três da madrugada, em plena noite de Natal, ele imagina que seja apenas seu amigo e parceiro de polícia, Kyle Woodstock, pregando-lhe uma peça. Entretanto, não estava preparado para o que viria a seguir: Florence, uma empresária da alta classe londrina, dona de uma agência internacional de modelos, é assassinada em sua própria mansão, durante a festa natalina. O crime desencadeia descobertas da face mais obscura da sociedade, revelando que nem tudo é o que parece. Diante do cenário cada vez mais intrigante, e de jogos de aparência, os detetives da polícia de Londres precisam descobrir a identidade do assassino. “Império de vidro” é uma trama dinâmica e envolvente, com um desfecho inusitado.

Dedo, de Justum

Sinopse: Abordando o realismo fantástico, a crítica social, o lirismo, o humor, a fábula, a ironia, o chulo. O livro Dedo é um conjunto de pequenos contos que ora se aproximam, ora se distanciam na narrativa e no estilo, fazendo com que o leitor percorra uma viagem por caminhos nem sempre paralelos. As mulheres, os homens, os bichos, deus, anjos, ricos, pobres, governantes, governados, a moral, os hábitos... tudo se mistura — ou seria nunca se mistura? Numa narrativa enxuta que costura mundos complexos. Em poucas palavras e brincando com certa esquizofrenia no conjunto, o autor monta um mosaico que vai do onírico e fantástico a um olhar denso e irônico sobre a condição humana e os papéis sociais.

Toda Poesia - Paulo Leminski

Eu já conhecia um pouco da poesia do Leminski, pois já tinha lido vários trechos aleatórios de sua autoria pela internet afora. Então, quando finalmente iniciei a leitura pensei que não seria surpreendida com o que encontraria ali, mas me enganei. Por mais que eu já conhecesse a escrita do autor, eu ainda não conhecia, de verdade, sua genialidade e sua facilidade de brincar com as palavras. Criando poemas curtos, porém intensos.