Mulherzinhas, de Louisa May Alcott

Quais fãs de friends nunca tiveram vontade de ler o livro Mulherzinhas? Raríssimos, não é mesmo? Desde o dia em que dei muitas risadas no episódio em que o Joey guarda o livro  O Iluminado, de Stephen King no freezer e faz um acordo com a Rachel sobre ele ler Mulherzinhas e ela O iluminado eu tive muita vontade de lê-lo. Eu sou um apaixonado por clássicos e tive a grande sorte de encontrar este livro em uma feira de livros por um preço bem acessível. Assim que cheguei em casa o tirei da sacola e comecei a ler, na verdade eu devorei o livro. Mulherzinhas tem uma escrita encantadora,  inteligente e um ritmo muito agradável. A história é um ato de gentileza aos corações dos leitores, impossível não se sentir afagado por ela. Durante a leitura deste livro eu tive a sensação semelhante que tive aos ler O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë e ao assistir a série Anne with an E, da Netflix, ambos são meus favoritos da vida. 

Mulherzinhas traz a história de quatro irmãs. Sendo a mais velha, Meg com 16 anos e após ela Jo, Beth e Amy com 12. As quatro possuem personalidades bem diferentes, mas isso não impede as quatro irmãs de serem unidas e amistosas. A história se passa nos Estados Unidos durante a Guerra de Secessão. A família das meninas está passando por um momento muito delicado, com uma crise financeira e o pai ausente servindo o país.  A mãe precisa se desdobrar para manter a casa e o bem estar das garotas e para isso conta com a ajuda de uma serviçal, Hannah.

Durante uma festa em que Meg e Jo foram, enquanto Meg se perdia no salão de tanto dançar, Jo escondia da multidão e assim encontrou um garoto chamado Laurie, que era vizinho delas e que se sentia muito sozinho morando com o avô, um velho sério e rude. A amizade dos dois cresce a ponto das famílias também se unirem e essa união se torna leal e de grande importância para ambas as casas. O avô de Laurie passa amolecer seu coração com a presença das meninas e do bem que elas fazem para o seu neto. Beth, sua preferida, ganha a liberdade para entrar no seu casarão e tocar piano quando quiser e foram atos assim que transformaram a amizade dessas famílias em algo extremamente valioso e singular. 


Um fato interessante sobre o livro é o que leitor acompanha a história das meninas em um período de amadurecimento delas e neste tempo acontece uma série de aventuras e problemas que levam  essas "mulherzinhas"  descobrirem o melhor de si para se ajudarem. É interessante perceber como as coisas que nos acontecem, sejam elas boas ou ruins, podem influenciar e desencadear uma série de emoções que tem um poder imenso de nos transformar. As experiências que vivemos ditam as pessoas que somos e que nos tornamos. E a nossa evolução parte daí.  As coisas que essas meninas vivem durante este período e a forma como lidam com as situações que surgem no caminho delas tem uma carga muito positiva para o leitor, pois são quase disciplinadoras de tão inspiradoras que são.

Uma personagem importantíssima nessa história é a mãe das garotas, a senhora March. Figura materna intrínseca aqui. A forma como ela lida com as situações e como ela disciplina, ensina e prepara suas  filhas para  também lidarem com os fatos inusitados da vida é sensacional. Esta mãe ensina com base no amor, na gentileza e principalmente, na humildade. Ela sabe ser amorosa o tempo todo, até mesmo nos momentos em que é necessário corrigir alguma delas. É encantador os conselhos que ela tira de dentro de si para suas filhas, é também perceptível que é algo que vem da raiz mulher/mãe.



Título: Mulherzinhas
Autor: Louisa May Alcott
Editora: Folha de S. Paulo
Páginas: 301


Meg, a mais velha, é uma garota delicada e sensível, cheia de sonhos de meninas. Enquanto Jo, minha preferida, é o oposto, bem rude e masculina. Forte, destemida e com pensamentos feministas muito a frente do seu tempo. Beth é o que podemos chamar de um ser humano perfeito. Inteligente, toca piano e extremamente gentil e bondosa. Amy, a caçula é uma peça fundamental do livro, ela consegue tirar de nós, leitores, boas risadas com seu jeito travesso, impulsivo e com a maneira de pronunciar palavras difíceis erradas. 

O livro tem uma certa leveza do inicio ao fim. Até mesmo quando começa desencadear uma série de problemas a leitura continua fluida e leve. Mergulhamos na escrita da Louisa com tanta coragem que as vezes nem percebemos a profundidade em que estamos, quando damos conta já estamos mergulhados em um mar de sentimentalismo, chorando ou dando gargalhadas. Gostei tanto do livro que já estou pensando na próxima edição que comprarei para ter uma desculpa para releitura. 

Muito obrigado por ler até aqui. Até a próxima, grande abraço.

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