A escrita de
Sally Rooney me encantou desde o primeiro livro dela que li.
"Intermezzo", seu quarto romance publicado, reafirma a maestria dessa autora irlandesa em explorar as relações humanas com profundidade. Com apenas 33 anos,
Rooney já estabeleceu um estilo que – para mim – é inconfundível, e este livro, embora tenha me causado desconfiança inicial por conta do título e da capa, conquistou o segundo lugar no meu ranking pessoal das obras dela, ficando atrás apenas de
"Pessoas Normais".
O título, “Intermezzo”, que inicialmente não me atraiu, revelou-se absolutamente pertinente à trama. O termo, que pode significar um breve intervalo entre atos de uma ópera ou um movimento inesperado no xadrez, é uma metáfora perfeita para a história.
A trama é centrada nos irmãos Peter e Ivan, que se reencontram no funeral do pai. Com personalidades e trajetórias distintas, a relação entre os dois, antes marcada pela proximidade e admiração na infância, agora se deteriora em atritos e silêncios. Rooney aborda de forma brilhante as dificuldades de comunicação que podem permear as nossas relações mais íntimas. Essa dificuldade de exteriorizar o que se sente e o que se pensa, que já foi um desafio pessoal para mim, fez com que eu me conectasse profundamente com os personagens e suas lutas.